“Estão voltando as flores”

           Setembro chega trazendo uma braçada de flores. De todos os tipos. Desde as mais sofisticadas – que enfeitam nobres salões – às mais plebeinhas, que pedem licença pra mostrar seus matizes. Como, por exemplo, as flores de Heleno, que ora brilham ousadas nos seus vermelhos, ora repousam nos tons claros e desmaiados, cansadas do vento. A poesia pode morar em qualquer uma de suas pétalas.

José Heleno fez apenas o curso primário. O manejo das cores deve ter vindo de sua intuição e de seus recursos de autodidata. Devagar fui percebendo o talento que nascia de suas mãos e, então, passei a apresentar-lhe as primeiras telas e os primeiros tubos de tinta. E surpreendentemente, a beleza, na leveza de seus traços, foi assumindo moradia em seus trabalhos.

Ele sempre se interessou por leitura. De palavras e de imagens. Com o tempo, foi se familiarizando com os grandes pintores, por meio de informações sobre suas obras. Ao ler jornais, seu olhar buscava primeiramente reportagens sobre arte. Ele as recortava e guardava para ler e reler. Sem pressa. Analisando cada detalhe e sob diversos ângulos de luz.

Até hoje é assim, nessa eterna busca pelo belo.  

Neusa Sorrenti – curadora

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